
Este artigo não tem tanto um fundo engraçadinho ou crítico como os anteriores, mas real e puramente científico, pois se trata do primeiro passo que eu dei em relação a uma contribuição para a ciência (ainda que irrelevante para título acadêmico) e minha primeira experiência como psicólogo experimental... o que foi bem prazeroso, embora trabalhoso.
Este trabalho foi realizado em cima da pesquisa do expert em expressões faciais da atualidade, Dr. Paul Ekman. Quem já viu a série Lie to Me exibida pela Fox provavelmente já deve ter ouvido o nome deste ícone das emoções, uma vez que ele é consultor da série, além de realizar trabalhos mais interessantes, como os que faz para a CIA.
Bem, uma rápida explicação a respeito do assunto:
As expressões faciais são universais, ou seja, elas podem ser reconhecidas em qualquer lugar e em qualquer cultura. O fato de produzirmos as expressões em determinados contextos é algo inato ao ser humano, que se desenvolve nos primeiros meses do nascimento. Entretanto, o significado que damos àquela expressão é algo aprendido. Para exemplificar, quando ficamos felizes tendemos a sorrir e fazemos isso desde os primeiros meses. Entretanto, o fato de sabermos que aquilo significa a felicidade é algo aprendido.
Chega a ser um pouco empático. Se encontrarmos um desconhecido na rua e ele nos sorrir, tendemos a sorrir de volta, principalmente se não nos sentirmos ameaçados por esta pessoa. Afinal, na sociedade banalizada pela violência em que vivemos, acho ninguém iria sorrir genuinamente para um mendigo na rua...
As expressões são essenciais dentro de qualquer grupo gregário, pois ajudam a estabelecer relacionamentos e/ou impor respeito. Os chimpanzés podem apresentar sorrisos quando querem passar uma aparência amistosa para conseguir comida. Da mesma forma que um leão pode mostrar os dentes e franzir o cenho para impor sua raiva numa competição por uma potencial parceira. As emoções são essenciais para a vida, como o medo que pode nos manter afastados de ameaças.
As expressões são uma das principais formas de detectar mentiras nas emoções. Quando estamos infelizes, podemos conscientemente fingir um sorriso para disfarçar nossa emoção genuína, certo? Até que sim, mas um sorriso genuíno tem determinadas características bem particulares. Como nos animais ditos acima, as expressões são um tanto quanto instintivas. Um resumo destes sinais pode ser encontrado no canal do Lie to Me, no site da Fox. Ainda temos de citar as micro-expressões que são expressões faciais que ocorrem numa fração de segundo, que aparecem em nossas faces mesmo antes que saibamos conscientemente que estamos sentindo tais emoções. O modo de funcionamento é similar ao ato reflexo: quando colocamos a mão numa superfície quente, retiramos a mão antes mesmo de termos consciência da dor.
“Acho que fulana não está bem hoje” e outros tipos de mentalismos são oriundos da nossa capacidade de percepção destas micro-expressões. Pode ser algo difícil de ser captado a olho nu, mas o subconsciente percebe. Sabe aquelas mensagens subliminares que colocam uma logo marca da Coca-Cola entre um frame e outro nos filmes de cinema que nos faz ter vontade de beber o refrigerante? Não vemos, mas sentimos seus efeitos. É o mesmo princípio com as expressões faciais.

É quase uma intuição: uma interpretação pessoal e única daquilo que naquele momento se apresenta como verdade para aquela pessoa.
E se falamos de intuição, por que não abordar a intuição feminina? Aquela coisa mágica que faz as mulheres perceber tudo. Será que ela realmente funciona para a percepção das expressões faciais mesmo que estejam disfarçadas?
OBJETIVO: Apontar uma direção sobre a veracidade de pessoas do gênero feminino de poderem perceber as expressões faciais com mais facilidade que os pessoas do gênero masculino.
DESENVOLVIMENTO: Para tal experiência, foram entrevistados 30 candidatos (sendo 15 de cada sexo) a respeito do reconhecimento das expressões faciais. Para tal, foram utilizadas 14 imagens e uma legenda contendo as emoções primárias (raiva, alegria, medo, nojo, desprezo, tristeza e surpresa). Cada candidato deveria identificar as emoções em cada uma das expressões utilizando a legenda.
CONCLUSÃO: Por incrível que pareça, e contrariando o senso-comum, nesta experiência os homens tiveram um melhor desempenho no reconhecimento das expressões faciais. Dentre as 420 respostas, tivemos 148 acertos, dos quais 80 foram dos homens. Isso representa 54,05% dos acertos.
Obviamente este trabalho não tem nenhum valor acadêmico, pois apenas 30 pessoas não são suficientes para uma conclusão qualitativa. Talvez num futuro não muito distante eu possa fazer um trabalho deste tipo com mais recursos e candidatos.

Obs: só para constar, obtive nota máxima neste trabalho. ;D


Me estudaaaa???
ResponderExcluirEu me voluntario pra ser sua cobaia xD