sexta-feira, 13 de maio de 2011

Besteirol


 Vi esse imagem no blog de um amigo e achei genial... piadinha com teor nerd só para não renegar (e principalmente, relembrar) as origens. o/

Chapolin Colorado


 Eu sempre fui um grande fã das séries Chaves e Chapolin... desde que era criança, chegava do colégio, tomava um banho (quando o fazia ¬¬’) e almoçava junto à telinha com os meus ídolos.
Bem, hoje as coisas não mudaram muito... só que o banho é obrigatório. ^^”
 Mas, enfim...

 Estava hoje revendo os episódios de “O Show Deve Continuar” - gravado em 1978 - e notei que na sexta e ultima parte desta saga, toca uma música triste. Anteriormente a esta música, as palavras de um zelador (Ramon Valdez) dizendo que aquele estúdio de filmagem seria demolido, porém, o que fora feito ali (a impressão e alegria causada pelos personagens) jamais conseguiriam destruir. E, em resposta o personagem Chapolin (Roberto Gomez Bolaños) completa dizendo que o cinema estaria sempre vivo.
 No ano seguinte, foi ao ar o último episódio de Chapolin Colorado, onde toca a mesma música triste.

 Em 1978, o ator Carlos Villagrán deixa o elenco. Já li que ele o teria feito por estar desanimado de continuar trabalhando ali e que ele o fez por querer seguir com seu próprio show, o Circo de Quico, se bem me lembro. Em 1979, é a vez de Ramon Valdez deixar o elenco.

 Bem, isso é só uma idéia maluca que eu tive. Considerando as datas, será que a mensagem transmitida em “O Show Deve Continuar” foi, além de uma homenagem a grandes clássicos do cinema da época, uma forma de dizer que a série Chapolin estava no fim?
 Apenas uma suposição: sabendo que Villagrán deixaria o programa (um dos melhores atores, diga-se de passagem) e, um ano depois Ramon (o melhor, na minha opinião) também o faria (por respeito a Villagrán), será que Bolaños não teria pensado em acabar com a série ao pensar na possibilidade de seus dois melhores atores saírem?

 Bem, isso tudo pode ser apenas uma coincidência... mas até que faz algum sentido (ou não? o.o’). Ah, um outro detalhe que me ajudou a pensar nisso: “O Show Deve Continuar” é uma saga de seis partes das quais apenas cinco foram exibidas aqui no Brasil. Desta cinco, Carlos Villagrán teve uma participação mínima, só aparecendo em duas cenas se bem me lembro.

 Mas, independente disso tudo, gostaria de deixar minha humilde homenagem a estas séries sensacionais que são Chapolin Colorado e Chaves. Creio que não chegarei a viver para ver outras séries de comédia que encantem o público por tantos e tantos anos...

 Gostaria, também, de fazer um agradecimento ao meu amigo Jonathan, que me ajudou nas pesquisas e me alertou para alguns detalhes para este post. E, eu lhe asseguro, meu amigo, verei Chaves até ficar velhinho.

domingo, 8 de maio de 2011

Experiência Científica - Expressões Faciais


 Este artigo não tem tanto um fundo engraçadinho ou crítico como os anteriores, mas real e puramente científico, pois se trata do primeiro passo que eu dei em relação a uma contribuição para a ciência (ainda que irrelevante para título acadêmico) e minha primeira experiência como psicólogo experimental... o que foi bem prazeroso, embora trabalhoso.

 Este trabalho foi realizado em cima da pesquisa do expert em expressões faciais da atualidade, Dr. Paul Ekman. Quem já viu a série Lie to Me exibida pela Fox provavelmente já deve ter ouvido o nome deste ícone das emoções, uma vez que ele é consultor da série, além de realizar trabalhos mais interessantes, como os que faz para a CIA.

 Bem, uma rápida explicação a respeito do assunto:

 As expressões faciais são universais, ou seja, elas podem ser reconhecidas em qualquer lugar e em qualquer cultura. O fato de produzirmos as expressões em determinados contextos é algo inato ao ser humano, que se desenvolve nos primeiros meses do nascimento. Entretanto, o significado que damos àquela expressão é algo aprendido. Para exemplificar, quando ficamos felizes tendemos a sorrir e fazemos isso desde os primeiros meses. Entretanto, o fato de sabermos que aquilo significa a felicidade é algo aprendido.

 Chega a ser um pouco empático. Se encontrarmos um desconhecido na rua e ele nos sorrir, tendemos a sorrir de volta, principalmente se não nos sentirmos ameaçados por esta pessoa. Afinal, na sociedade banalizada pela violência em que vivemos, acho ninguém iria sorrir genuinamente para um mendigo na rua...

 As expressões são essenciais dentro de qualquer grupo gregário, pois ajudam a estabelecer relacionamentos e/ou impor respeito. Os chimpanzés podem apresentar sorrisos quando querem passar uma aparência amistosa para conseguir comida. Da mesma forma que um leão pode mostrar os dentes e franzir o cenho para impor sua raiva numa competição por uma potencial parceira. As emoções são essenciais para a vida, como o medo que pode nos manter afastados de ameaças.

 As expressões são uma das principais formas de detectar mentiras nas emoções. Quando estamos infelizes, podemos conscientemente fingir um sorriso para disfarçar nossa emoção genuína, certo? Até que sim, mas um sorriso genuíno tem determinadas características bem particulares. Como nos animais ditos acima, as expressões são um tanto quanto instintivas. Um resumo destes sinais pode ser encontrado no canal do Lie to Me, no site da Fox.

 Ainda temos de citar as micro-expressões que são expressões faciais que ocorrem numa fração de segundo, que aparecem em nossas faces mesmo antes que saibamos conscientemente que estamos sentindo tais emoções. O modo de funcionamento é similar ao ato reflexo: quando colocamos a mão numa superfície quente, retiramos a mão antes mesmo de termos consciência da dor.

 “Acho que fulana não está bem hoje” e outros tipos de mentalismos são oriundos da nossa capacidade de percepção destas micro-expressões. Pode ser algo difícil de ser captado a olho nu, mas o subconsciente percebe. Sabe aquelas mensagens subliminares que colocam uma logo marca da Coca-Cola entre um frame e outro nos filmes de cinema que nos faz ter vontade de beber o refrigerante? Não vemos, mas sentimos seus efeitos. É o mesmo princípio com as expressões faciais.

 É quase uma intuição: uma interpretação pessoal e única daquilo que naquele momento se apresenta como verdade para aquela pessoa.

 E se falamos de intuição, por que não abordar a intuição feminina? Aquela coisa mágica que faz as mulheres perceber tudo. Será que ela realmente funciona para a percepção das expressões faciais mesmo que estejam disfarçadas?

OBJETIVO: Apontar uma direção sobre a veracidade de pessoas do gênero feminino de poderem perceber as expressões faciais com mais facilidade que os pessoas do gênero masculino.


DESENVOLVIMENTO: Para tal experiência, foram entrevistados 30 candidatos (sendo 15 de cada sexo) a respeito do reconhecimento das expressões faciais. Para tal, foram utilizadas 14 imagens e uma legenda contendo as emoções primárias (raiva, alegria, medo, nojo, desprezo, tristeza e surpresa). Cada candidato deveria identificar as emoções em cada uma das expressões utilizando a legenda.


CONCLUSÃO: Por incrível que pareça, e contrariando o senso-comum, nesta experiência os homens tiveram um melhor desempenho no reconhecimento das expressões faciais. Dentre as 420 respostas, tivemos 148 acertos, dos quais 80 foram dos homens. Isso representa 54,05% dos acertos.



Obviamente este trabalho não tem nenhum valor acadêmico, pois apenas 30 pessoas não são suficientes para uma conclusão qualitativa. Talvez num futuro não muito distante eu possa fazer um trabalho deste tipo com mais recursos e candidatos.

Obs: só para constar, obtive nota máxima neste trabalho.  ;D

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Inteligência Artificial

 Seres mecânicos com engenhocas para reproduzir comportamentos e realizar tarefas é uma realidade há milhares de anos. Manuscritos a respeito de figuras mecânicas já foram encontrados em povos egípcios e árabes. Os chineses, no século já tinham inventado peixes mecânicos, bem como alguns criados que serviam vinho, cantavam, dançavam e tocavam instrumentos musicais. No século VI um relógio na região da Palestina, de hora em hora, anunciava a hora com um conjunto de figuras mecânicas. O mítico povo atlante, famoso por possuírem uma tecnologia incrivelmente avançada também pode ser citado aqui.

 Entretanto, acredito que o grande reconhecimento de inserir máquinas com comportamentos na sociedade para realizar tarefas que ajudariam os humanos aconteceu no século XVII com o mecanicismo, onde comparavam o homem a um relógio; uma quantidade absurda [e complexa] de engrenagens e peças que, juntas, realizam uma tarefa. Assim surgiu modelo do Homem Biomédico, muito forçado (e acho que esta palavra cabe perfeitamente aqui) por Descartes. A visão cartesiana dizia que o homem, e o universo, eram como um relógio; um conjunto complexo de peças que poderia ser completamente entendido se compreendido como as engrenagens do mundo funcionavam.

 Atualmente já estamos acostumados com tais mecanismos, muito presente nos brinquedos e eletrodomésticos. Mas já pararam para se perguntar como seria um mundo onde as máquinas tivessem personalidade?

 Talvez este universo de inteligência artificial super-realístico traria uma melhor compreensão humana da vida ou você entrar em guerra com o seu computador que pode fazer milhares de cálculos por segundo geraria um apocalipse?

 Em especial a Ficção Científica nos traz uma mostra de como seria este mundo, dito por alguns, futuristas. Vamos analisar alguns casos de mundos robóticos:

1.       Projeto Zeta: um robô projetado para ser uma máquina de espionagem e infiltração do governo norte americano se nega a cumprir uma missão graças a um software de consciência criado por seu projetista e passa a ser perseguido por agentes. Na fuga, conhece uma garota apelidada de Rô que não tem família. Ambos passam a ser amigos e vivem para procurar o projetista de Zeta. Dispensável dizer que a vida dos dois vira um inferno, apesar de sempre acabar bem cada episódio.



2.       Resident Evil (filme): baseado numa série de jogos de mesmo nome, a trama se passa na Colméia que é uma base de pesquisas genéticas ilegais pertencente a Corporação Umbrela. Após o T-Vírus ser espalhado, a Rainha Vermelha (um sistema de inteligência articial) tranca todas as portas matando todo mundo (palmas para a cena em que ela ativa os sistemas de defesa da Colméia, por sinal) para impedir que o vírus saia dali. Certo que foi por um “bem maior” que não adiantou nada, pois acontece um Apocalipse Zumbi de qualquer forma.





3.       Star Wars: série clássica de filmes onde os robôs existem em abundância. Na verdade, existe um exército deles que lutam pelo Império. Claro, existem os IA bonzinhos também como o C3PO e o R2-D2. Mas o mais impressionante e motherfucker é o General Grievous, cuja inteligência provavelmente vem de um cérebro humano. Era um caçador de Jedi, dos quais roubava os sabres e os usava em suas batalhas e tornou-se líder dos Separatistas após a morte de Dookan (melhor usar o nome em inglês... quem entendeu, ótimo).



4.       Inteligência Artificial: filme dirigido por Steven Spilberg onde os robôs são bem parecidos com os humanos, a não ser pelo fato de não terem emoções, com exceção de David, o protagonista da série, que é um novo projeto de robôs com sentimentos para serem adotados como filhos (imortais e que nunca envelhecem, tudo o que uma mãe neurótica quer). Entretanto, a vida logo se mostra um pequeno inferno e o jovem David precisa conhecer um mundo promiscuo onde os a prostituição de robôs e sua destruição é um esporte legalizado.



5.       Portal: jogo de estratégia que se passa dentro de uma companhia chamada Aparture Science. Neste jogo, você deve testar uma nova arma que abre portais e, no final dos testes, lhe é prometido um bolo pela simpática robô GLaDOS. Após descoberto que o bolo é uma mentira, você decide se vingar e destruir o sistema de inteligência artificial. O grande interessante de GLaDOS, entretanto, é que mesmo sabendo que ela quer te matar e mentiu a vida toda, você não consegue sentir raiva dela, principalmente após ouvir a música dela no fim do jogo (vídeo da música no fim do post).




6.       Matrix: trilogia cinematográfica onde as máquinas dominaram o mundo e forçaram os humanos a se esconder no interior da Terra, único lugar quente o suficiente para permanecer a vida. Pondo de lados os efeitos especiais, magníficos para a época, o filme mostra um futuro Meca-apocaliptico. Dispensa mais palavras aqui.


 Vendo estes seis exemplos, me pergunto qual será o real futuro da humanidade com o avanço tecnológico. Será que irão considerar as Leis de Asimov quando forem programar seres com inteligências tão superiores as nossas?

Tá certo... melhor ser realista: ativem o Protocolo Bluehand. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dedinhos para o ar... é carnaval!

 Ah, o carnaval! Quem não gosta da maior festa de folia nacional? Todos brincando, comendo, bebendo, desfilando e liberando todas as energias. No conjunto, é uma bela festa devo admitir.
 Não há fontes muito seguras quanto à etimologia da palavra carnaval (que muitos acreditam ser “festival da carne”), mas o mais provável é que tenha vindo da palavra latina “carnelevarium”, que significa “Eliminação da Carne” ou “Purificação da Carne”, o que seria bem associável ao contexto dos quarenta dias de purificação (a Quaresma) que precedem a Páscoa e a ressurreição de Jesus Cristo.
 Mas quanto à festa em si... sabe qual é a origem do carnaval? Ou melhor dizendo: do Bacanal?
 Exatamente meu amigo folião!
Quando a Igreja Católica estava reunindo fiéis (sendo bem educado no termo) de culturas pagãs, este foi um dos artifícios/adaptações usados pela Santa Instituição para agregar os Romanos à sua causa, bem similar ao que aconteceu no Natal. O que chamamos hoje de Carnaval, é originário do Bacanal, a festa de culto a Baco, Deus Romano das festas e do vinho (Dionísio para os Gregos).
 “O Bacanal era o festival romano que celebrava os três dias de cada ano em hora a Baco, onde aconteciam bebedeiras e orgias sexuais” (The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997). Ao que parece, só mudou o nome da festa.



 Ademais, existia também no Antigo Egito, uma comemoração bem semelhante que era uma Festa de Osíris, Deus da vegetação e da pós-vida, na época em que havia o recuo do Rio Nilo, onde poderia ser feitas plantações. Esta comemoração onde as pessoas se fantasiavam e dançavam ocorre no, no calendário gregoriano, em 6 de janeiro, data em que Jesus teria recebido a visita dos Três Reis Magos, vindos do oriente. Já que o assunto passou de carnaval para cultura pagã nos dias modernos, sabiam que o enterro durante o funeral, praticado pela Igreja Católica desde os primórdios vem também da origem do povo celta de devolver o corpo carnal ao Ventre da Terra Mãe?
 O Natal, já mencionado, é uma adaptação cristã para outro festejo pagão romano. No dia 25 de dezembro era realizada a Festa da Luz, o dia do Sol Invencível renascendo para o povo europeu durante o Solstício de Inverno. O Natal, como nascimento do Menino Jesus, só passou a ser comemorado nesta data no século IVd.C.
 Sei que a Wikipedia brasileira não presta muito, mas tentem procurar pelos nascidos no dia 25 de dezembro que não acharão Jesus. 
 Em muitos idiomas domingo é o dia do sol (do inglês sunday [Sun = sol], do japonês nichiyobi [nichi = sol], do alemão sonntag [sonne = sol], do holandês zondag [zon = sol], do islandês sunnudagur [Sun=sol] e do albanês e diel [diell = sol] por exemplos). Na astrologia, o sol é representado por um ponto circunscrito, que também já foi o símbolo químico do ouro e, antigamente, foi a representação de Deus por alguns povos. Em outras palavras, na cultura pagã, domingo era o dia de veneração do Deus Sol. Hoje, na Igreja Católica, domingo é o dia que tem mais fiéis em seus cultos. Sim, mais uma prática pagã aderida pela igreja.
 As nossas festas nos dias 13, 24 e 29 de junho em homenagem a, respectivamente, Santo Antonio, São João Batista e São Pedro vieram de origem pagã, pois nestas datas era comemorada a chegada do verão, referentes aos Deuses da Proteção e Colheita, onde o Solstício de Verão (entre os dias 22 e 23 de junho) marcam o dia da colheita.
 Obviamente existem outras datas e celebrações ainda muito utilizadas que tiveram origens das quais muitas pessoas preferem não saber. Não quero julgar a crença de ninguém, pois acho que cada um reza pro Deus que merece, mas não há como negar que o Brasil é um país muito rico culturalmente e, pelos fatos acima mencionados, acho que deveríamos rever nossos conceitos da próxima vez que nos depararmos com os cartazes que “enfeitam” as ruas de nossa cidade:



 Para aqueles que não sabem, o Halloween (ou Dia das Bruxas) é uma festa comemorada no dia 31 de outubro. Originalmente vem do povo celta que acreditava que, nesta data, as almas de todos os falecidos naquele ano iam para o Outro Mundo, na Celebração de Samhaim e Ano Novo Celta. Para auxiliar as almas que não se perdessem, acendiam velas dentro de pequenos barcos para que a chama iluminasse os caminhos dos espíritos de entes queridos. Muito provavelmente surgiu daí a origem do famoso Jack, as abóboras com rosto esculpido e vela dentro, muito visto em filmes norte-americano, onde a festa é mais popular.
 Para finalizar: não acham coincidência que no dia 31 de Outubro os celtas comemorassem a passagem dos mortos para o outro mundo e que, dois dias depois (2 de Novembro) a partir do século V a Igreja Católica tenha começado a praticar o Dia de Finados?


quarta-feira, 30 de março de 2011

Experiência Científica - Álcool e Vida Acadêmica



 Acho que todos já ouvimos falar que “Fulano foi fazer uma prova bêbado e tirou notão” ou que “Ciclano foi pro cursinho de inglês sábado de manhã, depois de virar a noite num barzinho da Lapa e ficou quase fluente”, não é verdade?
 No Nerdcast - podcast do site Jovem Nerd -, foi dito que um de seus podcasters num jogo de tiro ao alvo com arco e flecha teria conseguido acertar três flechas no centro em estado alcoolizado.


 Existe ainda o fator da descontração social. Muitas pessoas, sob efeitos do álcool fazem coisas dos quais não fariam sóbrio, fator este que geralmente é visto negativamente. Para citar um exemplo benéfico, mesmo que fictício (porém possível de acontecer no mundo real), vamos analisar Rajesh Koothrappali, o personagem encarnado pelo ator Kunal Nayyar na série The Big Bang Thoery, exibida no Brasil pela Warnner Channel.
 Raj, como é chamado pelos amigos, é um doutor em astronomia e sofre de uma psicopatologia chamada mutismo seletivo, que o impede de falar com mulheres. Entretanto, sob efeito do álcool (ainda que o efeito alcoólico seja placebo), este se comunica normalmente com pessoas do sexo oposto.

 Não podemos esquecer, ainda, dos benefícios do vinho, mundialmente conhecidos e estudados.  Para citar alguns exemplos, o vinho quando consumido em doses moderadas pode ser benéficos contra doenças cardíacas, mentais, respiratórias, urinárias, além de ajudar no combate a diabetes, nos ossos, no sangue, na visão e, pasmem, até mesmo no câncer (matéria completa aqui).
  Mas que propriedades milagrosas teriam a bebida sobre as pessoas? Por relatos, o estado de embriaguez tende a aumentar as habilidades das pessoas.
Querendo expor toda e qualquer veracidade a despeito desta teoria, como futuro cientista da mente, eu resolvi expor e fazer esta experiência de caráter puramente científico.

OBJETIVO: Explorar conceitos ditos pelo senso comum dos efeitos benéficos do consumo de bebida alcoólica em relação às atividades do meio acadêmico.

DESENVOLVIMENTO: O sujeito experimental chegou na faculdade duas horas antes de começar a aula, encontrou dois amigos e foi ao “Isopobar” (o apelido carinhoso dado para a carrocinha de churrasco que tem na esquina da faculdade). A princípio foram dois latões de cerveja, dividido com uma das amigas. Logo foram comprados mais dois latões, também divididos. Na terceira vez, mais dois latões, do qual o sujeito tomou um inteiro e metade de outra. Um conhecido que chegou naquele momento comprou mais dois latões, o qual um foi dividido com o sujeito experimental.
  Somando as totalidades foram ingeridos cinco latões de cerveja, cada uma com 473ml dando um total de quase 2,5 litros de uma cerveja com teor alcoólico de 4,6% (agora vamos ver quais os pinguços que saberão qual foi a cerveja pelo teor de álcool =P).
 Por não estar se sentindo muito bem, o sujeito comeu um espetinho de churrasco e foi para a aula alegando estar “no estado perfeito para o experimento”.
 Nos primeiros quinze minutos de aula, o sujeito experimental mostrou-se bastante ágil em conseguir copiar e fazer anotações, em conjunto a ouvir o que a professora falava, o que o sujeito alegava não conseguir fazer. Decorridos os primeiros minutos, o sujeito saiu de sala dizendo precisar comer alguma coisa e que não estava mais dando certo.

 CONCLUSÃO: A partir da experiência relatada pelo sujeito experimental, é possível constatar que o álcool pode sim exercer alguma influência positiva no meio acadêmico, uma vez que o sujeito foi mais ativo nos minutos iniciais da aula. Porém o método ainda deve ser aprimorado, o que demandará de uma nova experiência.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O Cisne Negro, uma visão psicanalítica


 Hoje, dia 10 de março de 2011, fui assistir ao filme Cisne Negro, depois de muitas recomendações. Confesso que não estava muito animado com o tema e fui mais por insistência de alguns conhecidos, aos quais devo agradecer pela maravilhosa experiência.
 Entrei na sessão previamente preparado para um “drama psicológico”, como haviam descrito à minha pessoa e procurei durante todo o longa, como um bom aluno de psicologia, traços que denunciassem este drama. Entretanto, o que encontrei foi uma verdadeira [e maravilhosa] aula sobre psicanálise.
 O filme conta a história de uma jovem dançarina chamada Nina Sayers, uma garota bonita, meiga e tímida que vive com sua mãe Erica, uma ex-dançarina que largou sua carreira ao engravidar. Pode-se dizer que Nina vive para o balé, sendo altamente rigorosa consigo mesma a cada movimento esquematizado por sua técnica.
 Quando o diretor Thomas Leroy anuncia a nova temporada, onde será realizado o clássico O Lago do Cisne, Nina vê sua chance de brilhar e subir profissionalmente. Durante o teste para o papel principal, apesar da magnífica apresentação para incorporar o Cisne Branco com uma dança meiga e carinhosa – como a própria personalidade da dançarina –, nossa protagonista encontra dois obstáculos: o fato de sua dança não demonstrar toda a sensualidade necessária para o Cisne Negro e uma rival em potencial, Lily, uma nova dançarina que parece atrair o olhar do diretor com sua forma natural de dançar.
 Após saber a opinião do diretor a respeito de sua dança, encontramos uma Nina com baixa auto-estima e tristonha, mas que encontra um amparo nos braços de sua mãe, que apesar de se preocupar com a carreira da filha, trata-a de forma infantil. No dia seguinte, após uma seqüência de fatos, Nina descobre que conseguiu o papel principal e imediatamente liga para sua mãe, como qualquer criança o faria.
 Conforme os ensaios vão passando, cada vez mais Nina percebe a dificuldade que tem em si mesma de trazer à tona a sensualidade necessária para encarnar o Cisne Negro e percebe que, para isso, precisará inverter e/ou se desvincular de algumas idéias que trazia antigamente.
 É nesse momento em que podemos entrar na análise psicológica do filme.
 Em primeiro lugar, temos uma mãe que vê na juventude infantilizada da filha e em sua carreira um significante fálico do que ela mesma não pode ter. Em segundo lugar, temos uma dançarina que precisa revelar uma sensualidade contida dentro de si mesma para interpretar um papel. Precisa liberar uma libido contida há muitos anos, além desta ver uma rivalidade com sua colega de trabalho a menos que consiga atingir o status da perfeição, tão almejado.
 A primeira cena do filme nos introduz a um sonho de Nina, onde esta se vê interpretando o Cisne no exato momento da transformação. Este sonho, além de representar a vontade explicita de fazer o personagem, nos leva ao simbolismo do desejo oculto de libertar a libido, representado como o Cisne Negro.
 O Cisne Branco em contraste com o Cisne Negro simboliza não só o dualismo do consciente contra o inconsciente, respectivamente, mas também – e mais forte ainda – o corpo mental da criança, antes fragmentado que deve ser unificado, segundo a Psicanálise.  Esta comparação é vista com clareza pela quantidade de espelhos em que Nina passa o dia se olhando, metaforizando o Estagio do Espelho, de Lacan. Outro aspecto é Erica pintar o rosto da filha em telas, mostrando uma obsessão fálica, onde estas pinturas representam para Nina outras formas de espelho. A analogia do espelho é formulada a partir do momento em que Nina começa a ter alucinações pelo reflexo, onde sua imagem virtual se revela como o Cisne Negro.
 “A única coisa no seu caminho é você mesma” foram as palavras do diretor Leroy para sua nova protagonista. Leroy sabia que Nina teria facilidade de interpretar o Cisne Branco e dificuldade para revelar o Cisne Negro. Em outras palavras, Nina deveria passar por uma experiência límbica para juntar as peças fragmentadas de sua existência.
 Após Nina ser anunciada a público como protagonista, esta se depara com a estátua negra de um anjo, que simboliza o Cisne Negro preso, adormecido, congelado, petrificado em algum lugar. Embora Nina saiba e, ainda que receosa, queira passar por tais transformações  – indicado ao realizar o “dever de casa” passado pelo direto -, a jovem tem uma ajuda particular do Cisne Negro, parecendo vir diretamente do inconsciente e se personificando na forma de Lily em sonhos acordados.
 Nina vê as asas negras do cisne ganharem vida na tatuagem nas costas de Lily/Cisne, projetadas de seu inconsciente. Este cena, junto à saída de Lily e Nina, apesar da reprovação da mãe de nossa protagonista, representam o processo de unificação. É neste momento em que o Cisne Negro começa a nascer, deixando a personalidade do Cisne Branco de lado em Nina.
 O ultimo dualismo ocorre junto ao clímax do filme, quando Nina mata sua amiga Lily. Após esconder o corpo e dança o Cisne Negro divinamente (para esta parte, vale a pena comentar os efeitos de penas negras crescendo em todo o corpo da dançarina). Quando chega o desfecho da peça, onde o Cisne Branco se mata, vemos a morte de Nina.
 Como ela morre? Com um pedaço de vidro, quebrado de um espelho, enfiado na barriga. “Freud teria um orgasmo com este desfecho. E com razão”, como disse Pablo Villaça.